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quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Para combater pirataria de suas marcas, clubes de futebol criam associação

SÃO PAULO – Por conta dos milionários prejuízos sofridos pelos clubes de futebol devido à venda ilegal de de camisas e outros artigos esportivos, os grupos de diferentes estados decidiram, na última quinta-feira (15), criar uma associação para combater a pirataria de suas marcas.

Um dos grandes estímulos às cópias, segundo a secretária executiva do Conselho Nacional de Combate à Pirataria do Ministério da Justiça, Ana Lúcia Medina, é o preço dos produtos originais.

Por isso, ela acredita que, além de atuar na repressão ao crime, é preciso investir em campanhas de conscientização do consumidor e na oferta de mercadorias legais com valores menores, voltados ao torcedor da baixa renda.

Para se ter uma ideia, camisas oficiais dos clubes custam, em média, R$ 150 – quando entram em promoção, é possível encontrá-las por cerca R$ 70 –, valor bem acima da capacidade financeira da maioria dos brasileiros.

Prejuízos e uso do dinheiro
Conforme publicado pela Agência Brasil, a decisão por criar a associação foi tomada após encontro no Rio de Janeiro, que contou com a presença de representantes do Ministério da Justiça.

Segundo a gerente de licenciamento do Club de Regatas Vasco da Gama, Flávia Mayrink, não dá para ser estimado o prejuízo com a pirataria de uniformes e produtos, mas acredita-se que o montante passa de milhões de reais.

“A área de licenciamento do Vasco é uma das que mais cresceram nos últimos anos: de 2008 a 2010, aumentou mais de 1.000%. No ano passado, arrecadamos R$ 6,5 milhões só em licenciamento”, afirmou Flávia, acrescentando que, se não houvesse pirataria, o faturamento poderia dobrar.

No caso do Avaí Futebol Clube, a comercialização de camisas, chaveiros, canecas e outros artigos cobre 60% de seus gastos com as categorias de base. E, segundo a coordenadora de licenciamento do clube catarinense, Otília Pagani, o objetivo é alcançar 100% do financiamento.

“Nossa meta é que o processo de licenciamento venha a cobrir todos os nossos custos com as categorias de base. Quando o torcedor for comprar um produto, vai ajudar o clube a manter um talento que poderá surgir amanhã”, destaca.

Pirataria
De acordo com Ana Lúcia Medina, estão sendo feitos acordos com as prefeituras de algumas cidades, a fim de permitir a integração entre a Polícia Federal, Receita Federal e as guardas municipais, que vão atuar de forma conjunta na repressão à pirataria.

“O projeto Cidade Livre de Pirataria é a municipalização do combate à pirataria, para fazermos ações conjuntas locais”, disse a secretária executiva. Nas cidades de São Paulo, Curitiba e Brasília já foram constituídos comitês de combate à pirataria, e as próximas serão Belo Horizonte, Recife, Osasco e Rio de Janeiro.

Embora não existam números exatos sobre a valor movimentado pela pirataria no Brasil, Ana Lúcia lembra que só a Receita Federal apreendeu R$ 7 bilhões em produtos ilegais entre 2004 e 2011. No mundo, a Interpol calcula que US$ 520 bilhões seja o total movimentado por ano pela pirataria.

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