Um amigo meu colocou no domingo um desabafo em seu perfil do Facebook. Ele teve seu veículo apreendido pela PM pois estava andando com a documentação atrasada. Ele estava com multas em dia, IPVA e licenciamento em dia, taxa do controlar paga e inspeção veicular agendada para a semana que vem. Entendo a revolta dele pois apesar do atraso ele estava com praticamente tudo em dia, e o que não estava já estava agendado para estar.
Ao contrário dele, milhares de carros circulam irregularmente pela cidade. Gente que não fez inspeção veicular, que não pagou IPVA ou não fez o licenciamento. Apesar de não ser irregular, ainda temos muita gente que anda sem ter seguro.
A conclusão é óbvia: muita gente quer ter carro para circular mas não quer arcar com todos os custos que um carro envolve. Preferem correr o risco pois enxergam que as chances de algo dar errado são pequenas.
Estas pessoas, como já é de praxe do brasileiro, estão pensando mais nelas e menos no coletivo. Se os carros irregulares não estivessem rodando, haveria menos carros em circulação e menos trânsito. Esses motoristas irregulares passariam a utilizar o sistema público de transporte, que com mais usuários seria cobrado para se expandir e a melhorar. Muitos carros irregulares poluem mais do que carros que foram revisados e inspecionados, conforme pretende o projeto da inspeção veicular.
Há também a questão da segurança. Aqui no Brasil o seguro não é obrigatório, o que é um grande absurdo. As chances de esses motoristas sem seguro arcarem com o custo do reparo de um terceiro em um acidente de carro são mínimas. Nos EUA e Canadá, por exemplo, você é obrigado a ter seguro. Quando um policial te para, ele pede a sua carteira de habilitação, documento do carro e a comprovação de seguro. Acho até que você poderia não ter seguro contra furto, roubo, incêndio ou algo assim, mas o seguro contra terceiros (danos materiais e pessoais) deveria ser obrigatório.
Sou da opinião de que se alguém quer ter carro ou qualquer outro veículo, deve ter dinheiro para arcar com os custos de se ter um. Simples assim. O seu meio de transporte deve ser escolhido com base no que você pode gastar com isso. Infelizmente essa nossa cultura de ode ao carro, onde ter um é sinal de status, faz com que a maioria das pessoas pense primeiro em ter o carro, e depois em como vai financiar isso. E aí, como sempre, depois reclamam do trânsito, que é mais fácil.
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